blogueiros gateiros

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Continuando a série de entrevistas, agora é a vez de Mario Amaya, um cara que eu acompanho no blog, Twitter e outros links há tempos (e recomendo!). Segundo ele mesmo: “Dissidente cultural, fotoilustrador, cicloterrorista, adestrador de felinos e jornalista sem diploma” (entendeu a recomendação?)

Com a palavra, Mario Amaya:

O primeiro gato na minha vida foi uma fêmea preta que já andava pela casa na época em que nasci. Não lembro dela, só a conheço por causa de uma foto (em que ela aparece carregando um filhote na boca) e de minha mãe contando que ele disputava espaço comigo no meu berço de bebê.

A infância foi toda acompanhada de cachorros. Era algo básico. Absolutamente todo morador de Guarulhos parecia ter cachorro. Gato era bem mais raro. Minha mãe era a cuidadora de fato dos bichos. Em rápida sucessão houve um gato branco manchado, um amarelo listrado, outra toda branquinha e fujona, sua filha colcha-de-retalhos arisca, e em especial, um frajola muito peludo e bonzinho pelo qual minha mãe era maluca.

Meu primeiro gato para valer foi uma fêmea siamesa tradicional que eu chamava de Mina. Quando eu voltava para casa do trabalho na Folha, de madrugada, ela pulava para a rua deserta e miava para mim a pelo menos 100 metros de distância. Sei lá como ela conseguia me reconhecer de tão longe. A Mina desapareceu pouco depois de eu passar a morar em outro endereço; meu pai tinha assumido a guarda do bicho. Como não havia maneira de conter a saída dos gatos para a rua, provavelmenteela foi levada embora por algum funcionário da fábrica vizinha, que ela adorava visitar, às vezes por dias inteiros, de onde voltava suja de poeira.

Tempos depois foi a vez da Mole, uma frajola comilona que foi adotada quando eu morava no Paraíso. Levei-a comigo para outra residência no Morumbi. Gentil com os humanos, uma capeta com quaisquer outros animais. Durante um período, eu não pude ficar com a Mole e ela foi viver com a família de um amigo em Santo André.

O par de gatos novos foi ideia da namorada, há alguns meses. Depois de me sondar com algumas perguntas disfarçadas, ela resolveu arriscar e, numa bela sexta-feira à noite, apareceu de surpresa com a Café. O meu plano era ter dois bichos; por isso, duas semanas depois, adotamos a Chocolate. Fiquei com um receio enorme de que não se acostumassem juntas, mas não deu nem dois dias e estavam dormindo e brincando juntas, como agora.

- Eu acho que existem dois tipos de pessoas no mundo: as que preferem gatos e as que preferem cachorros. Em qual você se enquadra? Quais outras diferenças você acha que existem entre esses tipos?

Acho que existem nuances variáveis entre gostar de gatos e de cães. Acho bobo alguém se definir pela preferência de um ou do outro. Mas também acho muito bobo que digam não gostar de gatos sem ser por causa de alergia. Muita da fascinação dos humanos por gatos é pela maneira como suas manhas de personalidade refletem as dos próprios humanos. Além de serem esteticamente bonitos, claro.

Ao longo da história, o ser humano transformou e deformou muito mais o câo que o gato, a ponto de criar raças caninas bizarras, ridículas e desagradáveis; cães violentos, dependentes, neuróticos ou simplesmente feiosos latem em toda esquina da cidade. Já os gatos ainda mantêm uma parcela de pureza intocada desde seus ancestrais subsaarianos. A Café, que é um filhote de vira-lata, revela em suas poses e atitudes uma espécie de tigre em miniatura. Gatos não são ara pessoas que querem um boneco vivo para amoldar e treinar até ficarem irreconhecíveis; paraesses há os cães. Para nós, os gatos dão aulas de elegância, malícia e joie de vivre.

Eu brinco que um fator da economia doméstica é a “erosão felina”. Felizmente, as erupções de fúria destruidora não passam de duas ou três por dia. Mas é fato que a casa deve ser planejada para sofrer o mínimo de danos. Gavetas para ocultar objetos pequenos e fios soltos, certas portas permanentemente fechadas, mesas sempre livres e sem coisas frágeis, ganchos na parede para suspender objetos etc. A Mole aprendeu a virar maçanetas, abria um guarda-roupa de porta de correr, e até mesmo fez um buraco na tela do apartamento, por onde quase escapou e caiu outra gata menos sacana que ela. Isso era no 13º andar.

- Os gatos costumam ser vistos de forma negativa pela maioria das pessoas, mas são os animais de maior sucesso na Internet. O que explica isso?

O sucesso dos gatos na Internet tem a ver com a demografia dos usuários da rede, que tende a se concentrar em pessoas de classe B, que há pouco estabeleceram casa própria e família ou estão a caminho disso, quase sempre moram em apartamentos e não têm tempo para cuidar de bichos muito carentes de atenção. A escolha do bicho não é tanto por falha dos cães quanto por adequação dos gatos.

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Gostou? Leia também as entrevistas com Luiza Voll, Lia Camargo e Leonardo Kenji

Continuando a série de entrevistas com blogueiros gateiros, agora é a vez de Leonardo Kenji do Talk is Cheap.

Ele é um dos sócios da Vetta Labs, uma Fábrica de Inovação com foco em TI, casado e tem uma filhinha linda e ainda bebê, a Teresa.

Apesar de morarmos na mesma cidade, o vi pouquíssimas vezes, mas leio seu blog sempre, adoro e me divirto!

Com a responsabilidade de ser o primeiro homem a participar da coluna, Kenji:

- Eu acho que existem dois tipos de pessoas no mundo: as que preferem gatos e as que preferem cachorros. Em qual você se enquadra? Quais outras diferenças você acha que existem entre esses tipos?

Na verdade eu sempre gostei muito de cachorro, mas nunca tive pq morava em apartamento e sempre achei que cachorro precisa de espaço para correr. Convivendo com gente da computação, que geralmente são pessoas caseiras e que curtem gatos, acabei me influenciando e arrumando gatos também. Na prática, eu gostaria de ter ambos e alimento a esperança de um dia ter uma casa ou sítio só para ter cachorro.

Mas no fim das contas, acho que existe uma diferença sim entre pessoas que gostam mais de gatos que de cachorros e vice versa. Eu acho que quem prefere gato acaba sendo um tipo de pessoa que prefere um animal mais imprevisível e que exija menos atenção. O cachorro é um animal de matilha, ele tem necessidade de uma hierarquia na casa e o dono acaba representando uma direção na sua vida.

Já o gato é um animal acostumado a viver só, é um caçador solitário, então ele acaba sendo mais independente. No entanto, o ambiente protegido de dentro de casa acaba infantilizando o gato, que acaba ficando mais carinhoso e mais sociável que o gato de rua. E acaba que tanto gatos como cachorros se tornam ótimas companhias, estabelecendo uma relação de confiança e carinho. Só que os gatos fazem isso de forma mais sutil.

- Os gatos costumam ser vistos de forma negativa pela maioria das pessoas, mas são os animais de maior sucesso na Internet. O que explica isso?

É uma boa pergunta. Eu acredito que seja porque a maioria das pessoas que estão da internet vieram da cultura computeira, e os computeiros costumam gostar de gatos porque são muito individualistas, e computeiros também.

Na verdade, o gato é um animal muito reservado, e aprecia bastante a companhia humana, mas eles expressam apreço de uma forma muito peculiar, da mesma forma que os nerds ;-).

Outra coisa importante é que criar gatos é mais fácil que criar cães, pq gatos se viram muito bem sozinhos e já nascem sabendo usar a caixa de areia, enquanto o cachorro precisa passar por todo aquele processo pavloviano de esfregar o focinho no jornal sujo de xixi. Eu acho que a maioria dos nerds é também preguiçosa, e o gato ajuda neste sentido. Você não precisa levar o gato prá passear.

Eu acho que a maioria das pessoas ainda está fora da internet e a visão negativa do gato pode vir da velha cultura de associar o gato ao mau agouro. Mas com a internet, as velhas crendices vão dando lugar à comunicação e à informação, e os gatos irão sofrer cada vez menos preconceito das pessoas.

– O que você já aprendeu com os gatos?

Várias coisas. Primeiro que o animal depende de você para tudo, então você é literalmente responsável pelo que cativa, como diria o Exupery.

Segundo, que uma casa nunca fica chata com um gato, porque coisas sempre estão acontecendo.

Terceiro, que o gato sempre vai levantar o seu humor, não importa como vc chegue em casa. É um amor incondicional que é estabelecido entre os dois.

E quarto que você pode perfeitamente avaliar o nível de confiança duma pessoa pelo comportamento dela diante do animal. É aquela velha história que eu digo prás moças, se vc quer saber se seu namorado é um babaca, preste atenção em como ele trata o garçon.

No mais, parabéns pelo blog.

Grande abraço!

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Gostou? Leia também as entrevistas com Luiza Voll e Lia Camargo.

Continuando a série de entrevistas com blogueiros gateiros, Lia Camargo do fofíssimo e conhecidíssimo Just Lia.

Lia é blogueira há quase 10 anos, é webdesigner da Capricho, também é dona do Dolls e do Cute Kitty, está aqui no Twitter e ainda arrumou tempo pra responder as perguntas com a maior simpatia. ;-)

Há cerca de um ano ela entrou para o mundo Felino, adotando a Kitty e a Mimmy (gente, olha que lindas!) e adorou, como você pode ver a seguir.

Com a palavra, Lia:

- Eu acho que existem dois tipos de pessoas no mundo: as que preferem gatos e as que preferem cachorros. Em qual você se enquadra? Quais outras diferenças você acha que existem entre esses tipos?

Eu acho que existem 3 tipos de pessoa no mundo: as que tem cachorros ou gatos e acham q preferem o bicho que têm, as que conhecem os dois bichos e sabem que eles são incríveis à seu modo, e as pessoas sem coração. aheuiahieuhaueih

Amo os dois, mas minha experiencia com eles foi muito diferente. Sempre tive cachorras grandes (Pastor Alemão, Rottweiler, Fila..) e morava em casa com quintalzão. Então elas ficavam do lado de fora de casa (como cão-de-guarda mesmo) e eu saia pra passear, brincar e tb adestrava.
Já com as duas gatas, agora que eu moro num apê telado, é outra coisa! Elas vem dormir comigo e com meu namorado na cama, sentam na cadeira quando a gente tá comendo, ficam o tempo todo por perto.
Então pra mim é um pouco difícil comparar, por eu ter essa relação de anos com as cachorras e uma relação curta mas muito intensa com as gatas.

As gatinhas praticamente não dão trabalho. Diferente dos cachorros, elas não destroem nada, só fazem as necessidades na caixa, não pentelham latindo. Meu medo antes de adotar um gatinho, é que ele fosse ser indiferente comigo ou que não gostasse de carinho e brincadeira. Mas nada disso aconteceu! Elas vêm pedir pra brincar de pega-pega, se esfregam querendo carinho… é uma delícia!

Eu acho que o cachorro tem esse lance da fidelidade ao homem, que tanto se fala, mas que não é exatamente fidelidade. Eles se entregam muito ao dono, são capazes de ficar horas sentadinhos do lado fazendo companhia, há momentos que eles se aproximam e olham como se entendessem tudo (gato geralmente é mais assustado e movido à curiosidade, fica de longe espiando!). E tb tem o lance de adestrar, que eu acho super legal. Sei que é possível adestrar gato, mas minhas tentativas têm sido um fiasco total hahahaha


- Os gatos costumam ser vistos de forma negativa pela maioria das pessoas, mas são os animais de maior sucesso na Internet. O que explica isso?

Criou-se um preconceito e um mito em torno do gato que é difícil quebrar, né? Minha experiencia com gatos antes de ter, era a gata insuportável do vizinho, que entrava no forro do meu telhado pra miar muuuito em dias de cio (e aí as cachorras tb ficavam loucas!) e uma gata maluca que arranhava todo mundo na casa da minha tia qdo eu era criança (ela adorava pegar minha perna por trás.. haha safada!).

Eu acho que com vídeos fofos, blogs falando de gatos, aos poucos a internet ajuda a acabar com isso. Eu sei de pessoas que adotaram gato depois de ver eu contando e postando fotos das minhas!

- O que você já aprendeu com os gatos?

Aprendi o que é o gato! E descobri o espírito paternal do meu namorado heuiaheuihaeuihauieha É uma coisa linda ver ele agarrando as gatas, brincando… Haja paciência pra ir atrás toda vez que ele grita “Amooor, vem ver o que elas tão fazendo”. hahaha Dá vontade de adotar mais, é viciante ser gateira!

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Gostou? Veja também: Blogueiros gateiros – Luiza Voll

Escritores sempre gostaram de gatos. Blogueiros também adoram e foi por isso que resolvi entrevistar alguns desses escribas digitais. Era para ser um post único, mas, depois de ver as respostas, decidi criar um seção para publicar as entrevistas.

A idéia não é convidar donos de blogs sobre gatos, pois esses já declaram sua paixão pelos bichanos toda vez que fazem um post, mas sim, convidar blogueiros que escrevem sobre outros temas. E, claro, também confirmar que pessoas que gostam de felinos são legais, interessantes, bonitas, inteligentes…

Para começar, ninguém melhor do que a minha amiga Luiza Voll do Favoritos, o blog que sempre dá ótimas dicas de links e sites, e todo mundo adora (eu sou fã de carteirinha). Obrigada, querida!

Com a palavra, Luiza:

Sou Publicitária, blogueira e arquiteta de informação. Amo internet, natureza, viajar e todos os tipos de animais.

Ao longo da vida já devo ter tido mais de 50 gatos. Sério mesmo. Minha casa sempre foi cheia de animais e todos sempre foram vira-latas assim que, quando uma gata dava cria, poucas pessoas se interessavam. O resultado: acabávamos ficando com todos os gatinhos…

Seus nomes foram os mais variados e malucos possíveis: tomorrow, maitê, juliano, joão gilberto, bril o bom, calcinha, gatinho, gatona (eram tantos que no final foi acabando a criatividade, rs). Atualmente temos 2, uma fêmea e um macho, ambos vira-latas. A gata que aparece na foto é a fêmea, chamada Frida. Linda!

- Eu acho que existem dois tipos de pessoas no mundo: as que preferem gatos e as que preferem cachorros. Em qual você se enquadra? Quais outras diferenças você acha que existem entre esses tipos?

Muita gente pensa assim mesmo, mas eu sou uma exceção à regra. Eu amo gatos e cachorros e sempre tive os dois ao mesmo tempo em casa. É claro que cada um a gente ama de um jeito, né? Cachorros são mais companheiros, gatos são mais charmosos e interessantes!

- Os gatos costumam ser vistos de forma negativa pela maioria das pessoas, mas são os animais de maior sucesso na Internet. O que explica isso?

O que eu não entendo bem é o porquê dessa implicância com os felinos. São animais tão legais! Quanto à sua popularidade na internet, difícil explicar… Gatos se colocam sempre em situações engraçadas e inesperadas, nos surpreendem muito. Talvez por isso a vontade de divulgar suas façanhas!

- O que você já aprendeu com os gatos?

Muita coisa! E acho que todos podemos aprender com o jeito felino de ser. Os gatos não amam qualquer um, precisam ser conquistados e precisam confiar em você antes de virarem amigos. Não é um ensinamento bacana? Outra coisa: gatos geralmente somem quando existem pessoas com uma energia negativa na casa. É tiro e queda. E outra lição valiosíssima. :-)